Duplicating reality

Se a ideia de imersão esteve sempre presente, ao longo dos tempos, na história da cultura e das artes europeias, ela adquiriu uma nova dimensão no séc. XIX.

Numa perspectiva geral, e não apenas restrita à questão tecnológica, poderíamos dizer que há marcos individuais e institucionais que influenciaram a visão, os caminhos e os conceitos da realidade virtual. Na verdade, o sonho de ser transportado para outros mundos, mundos possíveis, diferentes do mundo real, povoou desde sempre o imaginário do homem. A referência àquilo que poderíamos chamar ambientes virtuais encontra-se documentada desde as mais antigas formas de expressão humana.
A introdução do Cinerama e Cinemascope, em meados da década de 50, é um marco histórico inevitável a ser referido,considerada que é uma das primeiras experiências na obtenção de realismo artificial [Kalawsky, 1993].

Sensorama

O cineasta Morton Heilig, impressionado e fascinado pelo sistema Cinerama, publicou em 1955 um artigo intitulado El Cine del Futuro onde revelava a sua visão acerca de filmes multisensoriais, propondo que esplendor sensorial da vida poderia ser simulado através “máquinas de realidade” Quatro anos mais tarde, desenhou “Experience Theater” onde integrou algumas das ideias já lançadas no artigo. O seu objectivo era produzir “Total cinema, a complete illusion of reality engendering a strong sense of presence for the audience”.
Foi esta visão que levou Heilig a idealizar o Sensorama, um simulador tecnológico que previa despertar os diversos sentidos de forma eficiente, proporcionando ao espectador um maior entrosamento com o filme, expondo-o para isso a uma combinação entre visão tridimensional, som stereo, vibrações, sensação de vento e aromas, num passeio simulado de motocicleta por Nova Iorque.

“Morton’s most famous invention and the reason he has been touted as the Father of Virtual Reality. The Sensorama Machine was invented in 1957 and patented in 1962 under patent # 3,050,870. It is a simulator for one to four people that provides the illusion of reality using a 3-D motion picture with smell, stereo sound, vibrations of the seat, and wind in the hair to create the illusion. Parts of the Sensorama are two other inventions which made it possible, the Sensorama Motion Picture Projector and the Sensorama 3-D Motion Picture Camera.”


Entrevista a Morton Heilig, acerca da máquina Sensorama.

Watch out for a remarkable new process called SENSORAMA! It attempts to engulf the viewer in the stimuli of reality. Viewing of the color stereo film is replete with binaural sound, colors, winds, and vibration. The original scene is recreated with remarkable fidelity. At this time, the system comes closer to duplicating reality than any other system we have seen!”

Lipton, L. “Sensorama”; Popular Photography, July 1964, sit: Fisher, Scott S., Virtual Environments, Personal Simulation, & Telepresence in Virtual Reality: Theory, Practice and Promise, S. Helsel and J.Roth, ed., Meckler Publishing, 1991, reprinted in Ars Electronica: Facing the Future, T. Druckrey, ed., MIT Press, 1999.

Consistia o Sensorama numa pequena cabine, limitando a experiência a um único utilizador, uma “espécie de realidade pré-virtual, já que na altura nem os video-jogos nem a realidade virtual existiam” [Krueger, 1991].

Na obra de Howard Rheingold, Virtual Reality: Exploring the Brave New Technologies, de 1991, o autor descreve a utilização do Sensorama, trinta anos após a sua criação:

“By virtue of its longevity, it was a time machine of sorts. I sat down, put my hands and eyes and ears in the right places, and peered through the eyes of a motorcycle passenger at the streets of a city as they appeared decades ago. For thirty seconds, in southern California, the first week of March, 1990, I was transported to the driver’s seat of a motorcycle in Brooklyn in the 1950s. I heard the engine start. I felt a growing vibration through the handlebar, and the 3D photo that filled much of my view came alive, animating into a yellowed, scratchy, but still effective 3D motion picture. I was on my way through the streets of a city that hasn’t looked like this for a generation. It didn’t make me bite my tongue or scream aloud, but that wasn’t the point of Sensorama. It was meant to be a proof of concept, a place to start, a demo. In terms of VR history, putting my hands and head into Sensorama was a bit like looking up the Wright Brothers and taking their original prototype out for a spin.”

Embora o trabalho de Heilig tenha sido interrompido devido à falta de financiamento, a sua criação abriu sem dúvida novos horizontes no mundo do cinema e da realidade virtual.

Experience Theater

A patente, em 1969, de “Experience Theater” referia um ecrã com um campo visual com 180º na horizontal e 155º na vertical, ultrapassando em 5º verticais a capacidade de visualização humana. Por meio de uma grande tela semi-esférica é possível usufruir de imagens periféricas em 3-D, às quais  correspondem sons, aromas, vento, variações de temperatura e até a inclinação do assento.

Telesphere Mask

Heilig criou primordialmente a Telesphere Mask, apontado por Ijsselsteijn como provavelmente o primeiro capacete a ser construído [Ijsselsteijn, 2003]. Uma versão ‘projectual’ do Sensorama, a máscara oferecia vários pontos de vista, som estéreo, e correntes de ar a diferentes velocidades e temperaturas, podendo ainda transportar cheiro (Heilig, 1957).


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